''Ás vezes bate uma vontade de fugir, de correr, de sair da realidade. E entrar em um lugar, ir para um mundo longe de toda essa falsidade, de todas essa mentiras, de todas as aflições, distância dessas mágoas, desses rancores, dessa hipocrisia. Só paz, música e calmaria.''
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
De novo Joana procurou voltar à sala, à presença de Otávio. Estava solta das coisas, de suas próprias coisas, por ela mesma criadas e vivas. Largassem-na no deserto, na solidão das geleiras, em qualquer ponto da Terra e conservaria as mesmas mãos brancas e caídas, o mesmo desligamento quase sereno. Tomar uma trouxa de roupa, ir embora devagar. Não fugir, mas ir. Isso, tão doce: não fugir, mas ir... Ou gritar alto, alto e reto e infinito, com os olhos fechados, calmos. Andar até encontrar as luzinhas vermelhas. Tão trêmulas como num começo ou num fim. Também ela estava a morrer ou a nascer? Não, não ir: ficar presa ao instante como um olhar absorto se prense ao vácuo, quieta, fixa no ar...
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