Aqui não cabe desequilíbrio. Se buscamos a nossa liberdade sem compreender a sua inserção na busca da liberdade coletiva, acabamos por nos dobrar diante das fortes relações de poder autoritário que tecem a sociedade.
Além do que se vê..
''Ás vezes bate uma vontade de fugir, de correr, de sair da realidade. E entrar em um lugar, ir para um mundo longe de toda essa falsidade, de todas essa mentiras, de todas as aflições, distância dessas mágoas, desses rancores, dessa hipocrisia. Só paz, música e calmaria.''
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Fazíamos sexo frequentemente porque gostávamos de intimidade rápida, e o sexo nos oferecia a forma mais reduzida de uma possível união. Para as pessoas que procuram o prazer sem compromisso, sexo é perfeito. Gostávamos de assistir a filmes proibidos e de estar bêbadas ou insensíveis antes de ir para a cama com um novo homem, para ter uma desculpa caso demonstrássemos paixão excessiva ou ternura verdadeira. Às vezes, em função do incestuoso círculo no qual orbitávamos, perguntávamos aos homens com quem dormíamos sobre o desempenho sexual de nossas companheiras de sexo. Ao contrário da geração seguinte, tínhamos poucas lésbicas entre nós. Marilyn dizia na Esquire que, quando abraçávamos nossas namoradas, tudo em que podíamos pensar era que tinham ombros estreitos.
Aprendíamos muito com nossos amantes. Por exemplo, que as mulheres tinham de se exibir para progredir e que a melhor maneira de ir para frente era dando algo. Também adquiríamos uma grande quantidade de informações sobre política, negócios, artes e esportes. Falávamos com autoridade sobre esportes, como futebol e beisebol. Aprendíamos até a dar palpites sobre corridas de cavalos. Na realidade, podíamos trapacear.
Aprendíamos muito com nossos amantes. Por exemplo, que as mulheres tinham de se exibir para progredir e que a melhor maneira de ir para frente era dando algo. Também adquiríamos uma grande quantidade de informações sobre política, negócios, artes e esportes. Falávamos com autoridade sobre esportes, como futebol e beisebol. Aprendíamos até a dar palpites sobre corridas de cavalos. Na realidade, podíamos trapacear.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Uma geração de mulheres deve tacitamente concordar em lembrar-se de certas coisas, e se recusar a ser dissuadida de suas selecionadas visões ou versões do passado. De outro modo, o passado não se estabelecerá. Nada do que aconteceu permanecerá estático. Se não formos vigilantes em preservar nossa própria história, virá sempre alguém que tentará modificar ótimos registros que nos foram favoráveis por décadas.
Sempre atraíamos olhares nos aeroportos.
Gostávamos de visitar países de clima quente.
Dormíamos com estranhos sempre que desejássemos.
Aprendíamos muito com nossos amantes; aprendíamos que a melhor maneira de progredir era dar alguma coisa.
Nossos maridos estavam, em sua maioria, registrados na Quem é Quem.
Queríamos tudo, conseguíamos tudo, e, então, descobríamos que não era o suficiente. Além disso, não tínhamos como manter o conquistado.
Havíamos lido e escrito muitos dos livros sobre mulheres como nós e nossa maneira de viver.
Éramos uma geração de mulheres ''tipo A, classe A, nota 10''.
Éramos muito boas companheiras. Na verdade, ainda somos.
Gostávamos de visitar países de clima quente.
Dormíamos com estranhos sempre que desejássemos.
Aprendíamos muito com nossos amantes; aprendíamos que a melhor maneira de progredir era dar alguma coisa.
Nossos maridos estavam, em sua maioria, registrados na Quem é Quem.
Queríamos tudo, conseguíamos tudo, e, então, descobríamos que não era o suficiente. Além disso, não tínhamos como manter o conquistado.
Havíamos lido e escrito muitos dos livros sobre mulheres como nós e nossa maneira de viver.
Éramos uma geração de mulheres ''tipo A, classe A, nota 10''.
Éramos muito boas companheiras. Na verdade, ainda somos.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Não era mulher, ela existia e o que havia dentro dela eram movimentos erguendo-a sempre em transição. Talvez tivesse alguma vez modificado com sua força selvagem o ar ao seu redor e ninguém nunca o perceberia, talvez tivesse inventado com sua respiração uma nova matéria e não o sabia, apenas sentia o que jamais sua pequena cabeça de mulher poderia compreender. Tropas de quentes pensamentos brotavam e alastravam-se pelo seu corpo assustado e o que neles valia é que encobriam um impulso vital, o que neles valia é que no instante mesmo de seu nascimento havia a substância cega e verdadeira criando-se, erguendo-se, salientando como uma bolha de ar a superfície da água, quase rompendo-a...
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Mas das profundezas como resposta, sim como resposta,
avivada pelo ar que ainda penetrava no seu corpo, ergueu-se a chama queimando lúcida
e pura... Das profundezas sombrias o impulso inclemente ardendo, a vida de novo
se levantando informe, audaz, miserável. Um soluço seco como se a tivessem
sacudido, alegria rutilando em seu peito intensa, insuportável, oh o turbilhão.
Sobretudo aclarava-se aquele movimento constante no fundo do seu ser – agora crescia
e vibrava. Aquele movimento de alguma coisa viva procurando libertar-se da água
e respirar. Também como voar, sim como voar... Andar na praia e receber o vento
no rosto, os cabelos esvoaçantes, a glória sobre a montanha... Erguendo-se,
erguendo-se, o corpo abrindo-se para o ar, entregando-se à palpitação cega do próprio
sangue, notas cristalinas, cintilantes, faiscando na sua alma... Não havia
desencanto ainda diante de seus próprios mistérios.
[...] eu não sou nada e a desgraça cai sobre minha cabeça e
eu só sei usar palavras e as palavras são mentirosas e eu continuo a sofrer,
afinal o fio sobre a parede escura. [...] eu não sou nada, eu sou menos que o pó
e eu te espero todos os dias e todas as noites, ajudai-me, eu só tenho uma vida
e essa vida escorre pelos meus dedos e encaminha-se para a morte serenamente e
eu nada posso fazer e apenas assisto ao meu esgotamento em cada minuto que
passa, sou só no mundo, quem me quer não me conhece, quem me conhece me teme e
eu sou pequena e pobre, não saberei se existirei daqui a poucos anos, o que me
resta para viver é pouco e o que me resta para viver no entanto continuará
intocado e inútil. Por que não te apiedas de mim? [...] minha desolação é funda
como um poço e eu não me engano diante de mim e das pessoas, vinde a mim na
desgraça e a desgraça é hoje, a desgraça é sempre. [...] meu desespero é seco
como as areias do deserto e minha perplexidade me sufoca, humilha-me. Deus,
esse orgulho de viver me amordaça, eu não sou nada...
Sobrevivera como um germe ainda úmido entre as rochas
ardentes e secas, pensava Joana. Naquela tarde já velha – um círculo de vida
fechado, trabalho findo -, naquela tarde em que recebera o bilhete do homem,
escolhera um novo caminho. Não fugir, mas ir. Usar o dinheiro intocado do pai,
a herança até agora abandonada, e andar, andar, ser humilde, sofrer, abalar-se
na base, sem esperanças. Sobretudo sem esperanças.
Fechou os olhos, docemente serena e cansada, envolvida em longos véus cinzentos. Um momento ainda sentiu a ameaça de incompreensão nascendo no interior longínquo do corpo como um fluxo de sangue. Eternidade é o não ser, a morte é a imortalidade - boiavam ainda, soltos restos de tormenta. E ela não sabia mais a que ligá-los, tão cansada.
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