[...] eu não sou nada e a desgraça cai sobre minha cabeça e
eu só sei usar palavras e as palavras são mentirosas e eu continuo a sofrer,
afinal o fio sobre a parede escura. [...] eu não sou nada, eu sou menos que o pó
e eu te espero todos os dias e todas as noites, ajudai-me, eu só tenho uma vida
e essa vida escorre pelos meus dedos e encaminha-se para a morte serenamente e
eu nada posso fazer e apenas assisto ao meu esgotamento em cada minuto que
passa, sou só no mundo, quem me quer não me conhece, quem me conhece me teme e
eu sou pequena e pobre, não saberei se existirei daqui a poucos anos, o que me
resta para viver é pouco e o que me resta para viver no entanto continuará
intocado e inútil. Por que não te apiedas de mim? [...] minha desolação é funda
como um poço e eu não me engano diante de mim e das pessoas, vinde a mim na
desgraça e a desgraça é hoje, a desgraça é sempre. [...] meu desespero é seco
como as areias do deserto e minha perplexidade me sufoca, humilha-me. Deus,
esse orgulho de viver me amordaça, eu não sou nada...
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