sábado, 24 de agosto de 2013

Devaneios sobre o tempo (Gabriel Magalhães)

Não há tempo para se medir todas as coisas.
O tempo de uma paixão nada diz de sua intensidade,
nem de sua capacidade inesgotável de ser.
O tempo do relógio, a medir o imensurável,
o olhar pra trás a emoldurar o ontem
de um tempo que se fez finito,
é o fóssil na memória.

De nós dirá o tempo, o que fomos?
Imagino-o amanhã, e o depois do amanhã,
e o depois do depois do amanhã!
Sua infinitude e indefinição
revelam-no indefectível
tanto quanto intangível
a nós, um pouco do quanto do tempo
que o tempo nos reserva
das horas vãs.
Um minuto descompassa o pensamento,
um orgasmo a impingir-lhe paixões,
e a paixão pode ter o tempo de um amanhecer,
e o cotidiano que se arrasta pelo dia
contrapõe o novo que se esvai em ventos errantes.

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