Um dia, rompendo a quietude em que ficava junto de Joana ele tentara falar:
- Eu sempre não fui nada.
- Sim, respondeu ela.
- Mas tudo o que houve não faria você ir embora...
- Não.
- Mesmo essa mulher... essa casa... É diferente, você sabe?
- Sei.
- Sempre fui como um mendigo, eu sei. Mas nunca pedia nada, nem precisava, nem sabia. Você veio, sabe? Eu pensava antes: nada era ruim. Mas agora... Por que você me diz sempre coisas tão loucas, juro, não posso...
Ela então se levantara sobre o cotovelo, subitamente séria, o rosto debruçado sobre ele:
- Você acredita em mim?
- Sim... - respondeu ele assustado com sua violência.
- Você sabe que eu não minto, que nunca minto, mesmo quando... mesmo sempre? Sente? Diga, diga. O resto então não importaria, nada importaria... Quando digo essas coisas... essas coisas loucas, quando não quero saber de seu passado e não quero contar sobre mim, quando eu invento palavras... Quando eu minto você sente que eu não minto?
- Sim, sim...
Ela deixara-se cair de novo sobre a cama, os olhos fechados, cansada. Não importa, não importa se depois ele não acreditar, se correr de mim como o professor. Por enquanto junto dele podia pensar. E por enquanto também é tempo. Abriu os olhos, sorriu para ele. Um menino, é isso o que ele é. Deve ter tido muitas mulheres, muito amado, atraente, com os grandes cílios, os olhos frios. Até agora foi mais consistente, eu o dissolvi um pouco. Aquela mulher espera que eu vá embora um dia finalmente. Que ele volte.
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