- Você bem sabe que não se trata disso. Oh, Otávio, Otávio... - murmurou depois de um instante, as chamas subitamente reavivadas - que nos acontece afinal, o que nos acontece?
A voz de Otávio era áspera e rápida quando ele respondeu:
- Você sempre me deixou só.
- Não... - assustou-se ela. - É que tudo que eu tenho não se pode dar. Nem tomar. Eu mesma posso morrer de sede diante de mim. A solidão está misturada à minha essência...
- Não - repetiu ele, obstinado, os olhos turvos. - Você sempre me deixou só porque quis, porque quis.
- Não tenho culpa - gritou Joana -, acredite... Está gravado em mim que a solidão vem de que cada corpo tem irremediavelmente seu próprio fim, está gravado em mim que o amor cessa na morte... Minha presença sempre foi essa marca...
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