''Ás vezes bate uma vontade de fugir, de correr, de sair da realidade. E entrar em um lugar, ir para um mundo longe de toda essa falsidade, de todas essa mentiras, de todas as aflições, distância dessas mágoas, desses rancores, dessa hipocrisia. Só paz, música e calmaria.''
domingo, 6 de outubro de 2013
Mas viu também, com estranha e súbita clareza, a si mesmo numa tarde talvez, sentindo no peito uma dor fina, franzindo os olhos, sabendo as mãos vazias sem olhá-las. A indefinível sensação de perda quando Joana o deixasse... Ela surgiria nele, não na sua cabeça como uma lembrança comum, mas no centro de seu corpo, vaga e lúcida, interrompendo sua vida como o badalar súbito de um sino. Ele sofreria como se estivesse mentindo coisas loucas, mas como se não pudesse expulsar a alucinação e a aspirasse casa vez mais como a um ar que no interior do corpo pudesse benditamente se transformar em água. Sentiria o espaço aberto e límpido no seu coração, onde nenhuma das sementes de Joana pudera cobrir de floresta, porque ela era impossuída como o pensamento futuro. No entanto ela era dele, sim, profundamente, difusamente como uma música ouvida. Minha, minha, não partas! - implorou do fundo do seu ser.
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