Sobretudo no momento em que a tocara, compreendera: o que se seguisse entre eles seria irremediável. Porque quando a abraçara, sentira-a viver subitamente em seus braços como água correndo. E vendo-a tão viva, entendera esmagado e secretamente contente que se ela o quisesse ele nada poderia fazer... No momento em que finalmente a beijara sentira-se ele próprio de repente livre, perdoado além do que ele sabia de si mesmo, perdoado no que estava sob tudo o que ele era...
Daí em diante não havia escolha. Caíra vertiginosamente de Lídia para Joana. Sabendo disso ajudava-se a amá-la. Não era difícil. Uma vez ela se distraíra olhando pelo vidro da janela, os lábios soltos, esquecida de si mesma. Ele a chamara e o modo suave e abandonado como ela voltava a cabeça e dissera: hein?... fizera-o cair dentro de si mesmo, mergulhando numa tonta e escura onda de amor.
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