''Ás vezes bate uma vontade de fugir, de correr, de sair da realidade. E entrar em um lugar, ir para um mundo longe de toda essa falsidade, de todas essa mentiras, de todas as aflições, distância dessas mágoas, desses rancores, dessa hipocrisia. Só paz, música e calmaria.''
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Já sem se prender a raciocínios, pareceu-lhe tão ilógico morrer, que se deteve agora estupefata, cheia de terror. Eterna? Violenta... Reflexões rapidíssimas e brilhantes como faíscas que se entrecruzavam eletricamente, fundindo-se mais em sensações do que pensamentos. Mudava sem transição, em saltos leves, de plano a plano, cada vez mais altos, claros e tensos. E de instante a instante caía mais fundo dentro de si própria, em cavernas de luz leitosa, a respiração vibrante, cheia de medo e felicidade pela jornada, talvez como as quedas quando se dorme. A intuição de que eram frágeis aqueles momentos fazia-a mover-se de leve com receio de se tocar, de agitar e dissolver aquele milagre, o tenro ser de luz e de ar que tentava viver dentro dela.
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